Quem sou eu

Minha foto
Eu gosto de acreditar que “o pensamento é um pedacinho de futuro, que permanece no campo do sentimento até o momento em que se materializa”. Eu gosto de pensar, porque, assim sendo a vida, provida da qualidade de transformar o verbo em tudo, tudo vira possibilidade a partir de um pensamento, já que tudo se inicia a partir dele e tudo se realiza a partir de um sim. Os cientistas quânticos descobriram, agora de fato, que cada ser deste vasto universo possui o predicado de construir o seu mundo, com as nuances próprias de cada um e suas preferências. É portanto que desejo a sabedoria dos filósofos, mas, ainda mais, a realização dos meus pensamentos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

PAI, PROVEDOR DA VERDADEIRA CONTABILIDADE DA VIDA


Eu me engano quando acredito que me garanto e que sou autossuficiente, ou capaz de resolver todos os meus problemas, achando que posso estabelecer meu próprio caminho por mim apenas.

Sou um ser referenciado, não dá para ser diferente - como o ganancioso pelas riquezas, o vaidoso pela beleza, o maldoso pelo mal e o bondoso pelo bem, o egoísta pelo orgulho e o santo pela santidade.

Ouço vozes o tempo todo e obedeço àquelas que me convém, ou que convém a algo ou alguém. Acredito que sou mesmo conduzido por referências impostas ou escolhidas. Impostas quando opto por atitudes movidas pela indiferença ou pelo ódio, e escolhidas se uso o amor para guiar a minha vida. Isso significa que dessas escolhas podem nascer escravidão ou a liberdade.

Pensando nessas referências, costumo dizer que se o seu pai não tem o domínio da sua vida, o mundo o terá, porém sem o amor do pai.

Num documentário da Discovery sobre as prostitutas de Nova Iorque e seus gigolôs, uma realidade inesperada e interessante - elas, que arriscam suas vidas trabalhando intensamente nas noites da Big Apple, entregam aos seus gigolôs todo o dinheiro recebido nos programas. Não bastasse isso, essas "concubinas de aluguel" passam suas horas vagas servindo-os, submissas, com massagens, cuidados com suas roupas ou lixando-lhes as unhas. Eles, imponentes, normalmente vestidos de branco e muitas correntes de ouro, carrões exuberantes, chapéus, exibindo sempre grandes canecos com algum tipo de líquido a bebericarem. Embora recebendo altos valores por cada programa, em torno de dois mil dólares, recebem de seus amos apenas abrigo, alimento e segurança.

Fiquei a pensar qual seria a compensação para tamanha submissão a pessoas descaradamente oportunistas, como são aqueles gigolôs. Porque com todo esse dinheiro que elas ganham é possível viver sem depender de alguém que lhes dê abrigo. Mas, na continuação do documentário, emergiu a chave para esse mistério quando eles saíram para arrebanhar outras “mulheres zumbis” para ampliar seus plantéis... os cafetões usam, como argumento para convencê-las a entrarem em seu domínio, frases do tipo: “- venha, agora EU serei o seu PAI…”, “EU serei o PAI que te dará segurança e amor”... Algumas não lhes deram atenção, mas outras sim, e passaram a fazer parte do círculo escravizante dominado por uma pessoa sedenta de benesses e poder.

Durante muito tempo da minha vida eu não tinha uma boa relação com meu pai, eu trazia na língua todos os argumentos para não gostar sequer de ouvir sua voz. Além disso, dizia ser uma pessoa independente e autossuficiente, que me garantia e por isso só falava, não ouvia. Tinha plena convicção de que não havia nada para buscar do meu pai, já que sua referência eu desprezava. Ele era o errado e eu, claro, a pessoa iluminada pelos deuses, com todas as respostas prontas.

Mas, o fato é que, nas minhas andanças, quando um “cafetão” dissimulado e ardiloso percebia que eu andava “solto”, aproximava-se e oferecia a segurança e o amor que EU rejeitei do meu pai. Então, passava a servi-lo, dando a ele o melhor de mim. Durante todos aqueles anos eu servi diversos “gigolôs”, uns menos afoitos e ambiciosos e outros mais, até que fui aprisionado por um com ambições insaciáveis. Aceitei sua proposta e permiti ser reduzido à escravidão extrema. Para esse “amo” eu entreguei anos das minhas economias, anos do meu tempo e anos da minha convivência familiar, porque ele me exigia, não uma parte do meu tempo, mas todo ele, por isso, enquanto o servia experimentei a banca rota, desci ao fundo do poço e, quando já não restava muito dos meus recursos financeiros, psicológicos e morais, resolvi pedir ajuda para Deus. Só então ouvi Sua voz, provavelmente porque parei de falar e decidi ouvir.

Deus me fez ver que meu PAI é a fonte de bênçãos que eu precisava, que, se não tem habilidades para se expressar da forma como eu acreditava ser correta, como fazem os “gigolôs", ele tentou da forma como sabia, porém tem no coração algo que esses os oportunistas não possuem, o amor que Deus planta no coração de todos os pais no momento da geração do filho.

Desde então, a partir de quando minha mente e meu coração se abriram para o óbvio, deixei de me submeter a pessoas para me submeter a Deus e ao meu PAI. Que este tenha muitos defeitos, é óbvio que sim, assim como eu, mas é meu PAI e dele não abro mão da bênção.

Por isso tenho vivido verdadeiramente e pensando com minha própria cabeça, pois descobri a liberdade na submissão, um paradoxo incrivelmente maravilhoso que me ensinou e me fez compreender a expressão de Deus: "o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza".

Muitos problemas ainda tento resolver como herança do tempo negro, já que leva tempo para consertar anos de vida errante, mas deixei de estabelecer novas escravidões a partir dessa decisão, o que tornou minha vida mais leve e verdadeira.

Nunes

sábado, 7 de maio de 2016

NOVO TRATADO DOS SEXOS


Participo há dezenove anos de uma confraria de amigos sob o tema da gastronomia. Dezenove anos cozinhando e proseando, onde quase todos os membros da Nossa Confraria são os mesmos desde a fundação, poucas mudanças aconteceram e já são duas gerações participando. Dezenove anos consolidando amizades, foi o que fizemos.

Meus amigos de fora, talvez por não compreenderem harmonia tão duradoura, às vezes me perguntam se já houve atritos entre os confrades e, também, qual o segredo para se manter por tanto tempo viva essa confraria composta de pessoas com realidades tão diferentes.

Obviamente que experimentamos alguns atritos, porque, embora os grupos de pessoas são comumente formados a partir de interesses comuns, as pessoas são heterogêneas quanto aos seus conceitos e culturas. Porém, usando com moderação, o atrito e a discordância passam a ser elementos fundamentais na evolução pessoal de cada um e, quanto ao segredo para se manter esta associação saudável, eu diria que o que realmente preservou a nossa amizade durante esses anos foi termos fundamentado a nossa ideia sobre poucas regras de conduta... ou quase nenhuma. Usamos o bom senso natural e uma única regra artificial, a de não se permitir a permanência de pessoas do sexo feminino na mesa dos encontros semanais, exceto nos dias de eventos familiares.

Você já pode estar achando que o grupo é “machista” ou coisa do gênero, ou julgando que “apesar de vivemos no século XXI as mulheres ainda são por nós discriminadas”.

Antes de ser queimado na fogueira da inquisição pós-moderna, vou tentar explicar o motivo dessa imposição: - Ocorre que, enquanto não havia essa proibição, aconteciam atritos entre os confrades e suas esposas, que ficavam indignadas com seus maridos por sentarem numa mesa de bar com outras mulheres, mesmo quando se tratava da esposa ou namorada de um dos confrades. Foi pensando nisso que decidimos estabelecer esta única e necessária regra, e assim mantivemos a tão salutar harmonia nos nossos encontros.

Os casos omissos foram sempre resolvidos sob os princípios da ética e do bom senso.

Mas, o assunto não é o respeito às relações entre sexos? Por que estamos falando de confrarias e regras?

Pois bem, vamos então ao assunto. É que pretendi ilustrar o quanto atrapalhamos as relações pessoais tentando estabelecer controles para tudo, principalmente quando esses controles são engessados sob a cultura do “politicamente correto”, o modismo que bateu forte nas relações entre homens e mulheres, transformando amor em guerra. Esta sim é uma política castradora, pois rege sua própria censura, proibindo e eliminando o poder criativo e a capacidade de cada um de expressar a sua própria opinião formada sobre tudo.

Não é isso que o nosso criador espera.

É um assunto banal? Claro que não! A mídia faz parecer que sim, mas casais estão se separando, famílias implodindo, filhos ficando desamparados à sua própria sorte, uso de drogas aumentando e a felicidade indo embora.

E, pior, toda essa insanidade foi construída propositalmente, alguém está ganhando muito com tudo isso, pode ter certeza, e não há como compreender como a grande massa se deixou levar por ideias tão contrárias à paz.

Muitas coisas foram instituídas sem lógica, e um exemplo disso é a instituição da comemoração do  dia de um dos sexos para homenageá-lo, como se alguém tivesse o privilégio de escolher o seu antes de nascer. - À exceção daqueles que necessitam mesmo da ajuda da comunidade, por uma deficiência qualquer que o impede de realizar seu sustento e proteção, é difícil conceber a concessão de privilégios legais a alguém só pela forma física que nasceu, raça, posição social, cor ou sexo, se essa pessoa possui recursos para conviver e exercer tarefas comuns aos outros mortais, seus direitos e, principalmente, suas obrigações. É moralmente absurdo viajar em aeronaves onde há banheiros exclusivos para este ou aquele sexo, sugerindo que o excluído seja alguém indigno de utilizar; viajar em ônibus com poltronas exclusivas para este ou aquele sexo e conviver com leis e departamentos de proteção para este ou aquele sexo, argumentando fragilidade ( física ou emocional...? ), como se a violência psicológica não superasse qualquer outra; além do que é inconcebível discriminar e punir por vingança, ou para compensar as supostas discriminações do passado.

A natureza é sábia, pode ser compreendida. No reino dos pássaros, por exemplo, por motivos óbvios e nobres, o macho é cantador e possui as plumas mais exuberantes e coloridas. O canto serve para conquistar a fêmea e expor para ela a sua capacidade de adaptação e força, mostrando assim a sua condição de dar segurança à sua família e de oferecer uma cria forte e saudável; e as cores, para atrair um possível predador para si livrado a fêmea e seus filhotes do perigo; a leoa está encarregada dos cuidados com a família, caça, protege seus filhotes e até dá sustentação ao macho. Este, além de também caçar, mantém a ordem na comunidade, sendo que se for preciso, entrega sua vida por ela. Porque sabe que, se outro macho dominar a alcateia, todos os filhotes seriam mortos pelo dominador.

O fato é que está ficando muito confuso viver, as regras estão se tornando cada vez mais especialistas e o risco é de cairmos novamente nos erros que já caímos como quando trabalhamos em prol do ideal de pessoa perfeita criado por Hitler, que pretendia viabilizar a "raça ariana" com suas peles claras, altura padrão e olhos claros, para se tornar a única raça com direito à vida.

Se há o que combater, como por exemplo a violência, que seja contra a violência em si, não violência contra este ou aquele. Se há direitos a serem preservados, que sejam o direito em si, não o direito deste ou daquele.

Por essas e outras razões, pela necessidade da parceria, se é para o bem do relacionamento e felicidade geral da família, antes que as batalhas terminem quando um dos lados seja derrotado enquanto o outro sobe solitário no pódio para exibir seu troféu, marcando o fim dos relacionamentos entre homens e mulheres, quero propor um novo Tratado dos Sexos, não baseado na Constituição Federal, Leis Complementares ou Ordinárias, etc, mas unicamente no bom senso.

A menos que eu esteja enganado quanto à inexistência de outorga de qualquer supremacia de um sexo sobre o outro, os termos do Tratado seriam os seguintes:

1. fica proibido estabelecer um dia comemorativo para este ou aquele sexo. Que fique estabelecido o Dia do Namoro;

2. da forma como sempre foi, em caso de catástrofe, naufrágio ou qualquer circunstância onde houver risco de vida, ao homem, única e exclusivamente pelas condições físicas mais vantajosas para escapar do risco, fica atribuída a responsabilidade dele de ajudar no salvamento, primeiro às crianças e mulheres, depois aos outros homens com menor condição e, por fim, a si;

3. nas demais situações, a preferência será concedida por quem estiver sob o domínio daquele momento. Por exemplo, se o domínio da porta for de uma mulher, ela deve dar a preferência para o homem, e vice-versa;

4. fica proibida a manifestação, de qualquer dos sexos, de reivindicação de quaisquer direitos que não estejam condicionados a compatíveis e correspondentes obrigações;

4. em um discurso, se a palavra é da mulher, ela deve iniciar a frase dizendo “- senhores e senhoras”, e se o homem discursar, inicia a frase dizendo “- senhoras e senhores”;

Então... que tal homens privilegiarem as mulheres e estas, por suas vezes, privilegiarem os homens? Não seria interessante? Afinal, não fomos feitos uns para os outros?

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

EPITÁFIO



Não é sempre que eu aperto a tecla pause para refletir sobre os valores que tenho agregado à minha vida e avaliar como estou lidando comigo ou com os meus e as minhas, pois sou atropelado todos os dias pelos acontecimentos deste nosso mundo carregado de ilusões e catástrofes.

Mas, tenho pensado nisso ultimamente, mais ainda depois que recebi pelo WhatsApp um vídeo com a música Epitáfio, dos Titãs. 

Refletindo e ruminando a música, estranhamente, pensei na morte para pensar na vida.

Não me considero um louco por isso, ou no mínimo não sou o único, pois o livro Eclesiastes revela que "melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos o tomem em consideração".

Aproveitando a loucura, pensei também no presente para pensar no passado. É como a música: diz do arrependimento das faltas e fatos do passado projetando reflexões para um futuro que se molda no presente, este que é o único tempo que está ao alcance e que pode ser repensado. 

Não fosse assim a filosofia não faria sentido, pois o que chamamos de futuro é nada mais do que a projeção do resultado do que se faz agora; já, quanto ao passado, até o momento a ciência não descobriu outra coisa que conseguisse viajar no tempo, para o passado, e mudar o presente, senão o perdão. Futuro e passado são coisas estéreis, inaptas pela própria natureza para influenciar por si só a vida de alguém, simplesmente porque não existem.

Esta constatação me dá a certeza da incapacidade minha de mudar qualquer acontecimento ou decisão do passado - o que foi está feito, já era. Pelo menos até agora, diante do tempo somos passivos, apenas o observamos passar e tentamos utilizá-lo do melhor jeito possível. Por isso mesmo, na plena convicção da minha incapacidade de excluir ou alterar qualquer acontecimento acontecido, não desmerecendo a bela reflexão que a música desperta, subtraí do meu dicionário algumas expressões do tipo: devia ter - podia ter...  elas não servem para nada.

É óbvio que as experiências vividas ajudam muito na tomada de decisões - conselhos de pessoas mais vividas também - mas se sofremos por reflexos de alguns fatos do passado, é porque ainda não concebemos que os traumas e decepções não são naturais, são recalques inventados pelas pessoas. Deus criou o sentimento e nós inventamos o ressentimento e a culpa. É por isso que tudo é passível de ressignificação, basta apenas perdoar, principalmente a si mesmo, para perceber um mundo diferente.

Ademais, não acredito no sentimento de culpa como método terapêutico para ativar a consciência de pessoas, pois, ao contrário disso, é especialmente do sentimento de culpa que nasce a violência. Se prestar atenção, vai ver que muitas pessoas com atitudes tiranas guardam consigo um certo grau desse sentimento.

Se eu tiver a consciência de que tudo o que acontece na minha vida é fruto das minhas próprias escolhas e não causado pelo outro, com certeza estarei no caminho da redenção e elevação espiritual, isso sim é saudável e verdadeiro, mas sentir culpa não é bom.

No ritual da missa católica há um momento em que afirmamos “por minha culpa, minha tão grande culpa”. Confesso que apesar de respeitar de todo coração os rituais da minha religião, essa parte eu pulo. Sei que a intenção desse gesto é justamente me trazer à responsabilidade sobre os meus atos, de criar a consciência de que não posso jamais culpar o outro pelas minhas tristezas e frustrações, mas do jeito como é intuído, para mim fica parecendo que se quer embutir um sentimento de culpa. Isso já foi eliminado quando Jesus se sacrificou pelos meus pecados para que eu jamais sinta culpa do que quer que seja. Arrependimento sim, culpa não.

Pensando se devia ter visto o sol nascer, arriscado mais e até errado mais, ter feito o que eu queria fazer, acho que fiz tudo isso - principalmente no item “ter errado mais - acho que não deu para errar mais do que eu errei. Sei que o compositor fala do erro natural de qualquer humano, sem culpa; mas errei naturalmente, e muito. Isso tudo eu fiz, talvez não na porção que me trouxesse mais alegrias, mas na proporção de como eu me encontrava no momento em que vivi cada experiência. Usei os recursos que tinha na ocasião, e da melhor forma que poderia, dentro, é claro, das minhas limitações.

Também penso se queria mesmo ter aceitado as pessoas como elas são, porque aprendi que, enquanto eu não aceito as pessoas como elas são, de fato estou lutando contra as coisas que eu não aceito em mim mesmo. Ninguém consegue enxergar no externo o que não está armazenado no interno, ou seja, o que enxergo no outro é só um reflexo dos sentimentos e conceitos que estão dentro de mim. Então, esta compreensão, de que a cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração, me faz mais tolerante.
 
Eu poderia sim ter complicado menos, trabalhado menos e ter visto o sol se pôr. Leonardo da Vinci disse que “a simplicidade é o último grau de sofisticação”, complicar menos é um processo. Mas, seria muito mais fácil se eu não tivesse que pisar nesse chão, pois nasci sem asas, diferente dos pássaros que não semeiam, não colhem, nem armazenam em celeiros - as minhas asas eu mesmo precisei costurar na medida em que conseguia complicar menos e trabalhar menos, foi quando eu pude começar a ver o sol se pôr.

Até então, enquanto não aceitava a vida como ela é, com certeza me importei com problemas pequenos, eles fizeram parte de tudo o que eu precisava para descobrir o mistério da minha existência, porém, enquanto isso, morria de amor juvenil. Não menosprezando o meu amor, este pudesse ter sido maior, pois amei e amo intensamente sem medida, arrependimentos ou culpas, mas se comparado ao infinito amor de Deus, é com certeza um amor muito mesquinho.

Neste momento eu não diria que estou arrependido da vida que vivi, tudo foi necessário e significativo para aprender as lições mais importantes, valorizar cada pessoa que passou pela minha vida e aprender a amar. Talvez eu não saiba expressar tudo isso, pois não fui provido de uma personalidade que exponha os meus sentimentos, eu só espero que tudo se revele pelos frutos.

Por tudo isso, se me perguntassem qual a mensagem eu deixaria hoje na minha lápide, eu diria: Deixe seu legado na vida espiritual, pois é só o que somos, e mencionaria um trecho da música francesa Comme d’habitude, que foi eternizada por Frank Sinatra na versão em inglês My Way:
I've lived a life that's full  /  Tenho vivido uma vida completa
I traveled each and every highway  /  Viajei por cada e todas as rodovias
And more, much more than this  /  E mais, muito mais do que isso
I did it my way  /  Eu o fiz do meu jeito

A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier.

Nunes 




domingo, 31 de maio de 2015

MATRIMÔNIO



Que outra união tão perfeita Deus poderia ter criado para esta vida, não fosse o matrimônio?

Tudo é harmonia e perfeição - um pai com todas as forças e vontades para dar rumo aos seus, dotado de habilidades para o sustento da família inteira, especialista em futuro que o faz garantidor da construção de cada filho seu. Enquanto incentiva os cuidados com o estudo, é capaz de perceber qualquer deslize, ensinando caráter e honestidade, e cuidando para que as companhias não deteriorem o que é sagrado.

Uma mãe que foi dotada de força para cuidar do presente, que se preocupa com a saúde física e mental da sua cria, doando afeto e amizade para que seus filhos cresçam como pessoas humanas e integradas, alimento para o corpo e alma. Ela traz vida para o ambiente da família inteira, em detalhes que só uma mulher abençoada é capaz de ver.

Filhos que são a alegria do casal, potencialmente capazes de aprender e de trazer orgulho para a família enquanto conquista espaços e conhecimentos que se transformam em paz para o coração dos seus pais. Isso, sem falar nos netos e "agregados".

Costumo dizer que quando alguém se torna pai ou mãe, independentemente da sua vontade, Deus coloca em seu coração uma porção de amor escravizante, que o transformará para o resto de sua vida, causando dor insuportável se o pai for impedido de realizar sua tarefa de pai e se a mãe se deixar de ser mãe.

Felizes daqueles que podem acompanhar o crescimento dos seus filhos, e conseguem comemorar juntos as suas conquistas.

Por isso, penso que o sucesso de qualquer pessoa é medido pelo sucesso da sua família, ou, como Jesus preferia dizer, “é pelos frutos que se conhece uma árvore”.

Mas, o que poderia dar errado? Fico me perguntando por que uma junção tão maravilhosa poderia não perdurar? Por que vemos tantas separações que contradizem o amor? Por que a união sagrada passou a ser o grande desafio dos casais de hoje, se o amor ainda é cantado em versos e desejado por todos? Por que no tempo dos nossos pais tudo funcionava, mesmo que à custa de longas conversas e algumas cicatrizes no coração, e hoje já temos nossas dúvidas? Se ainda é o sonho de muitos, por que não se pode encontrar um meio para continuar, principalmente quando o casal tem filhos?

Muitas ideias poderiam ser escritas aqui para uma tese que analise esse fenômeno, mas fiquemos somente com alguns detalhes que talvez façam a diferença.

A resposta estaria exatamente nas falhas que ocorreram no casamento anterior, ou seja, dos pais desse pai ou dessa mãe.

O fato é que há uma diferença entre os relacionamentos do tempo dos nossos pais comparados com os de hoje. A geração anterior à nossa se preocupava em levar elementos para o casamento. Enxovais que faziam valorizar as coisas da casa. Não só feitos de linhas, lãs, tecidos e botões, mas costurada de habilidades e dons, estes que foram conquistados no tempo de formação, passados de pai para filho e de mãe para filha. Orgulho de quem tinha o que oferecer, de quem fazia a diferença e que deixava o companheiro ou a companheira satisfeitos e orgulhosos. Ou seja, as pessoas entravam no matrimônio para levar algo. Diferente do que está acontecendo hoje em dia, quando as pessoas estão entrando nos relacionamentos para buscar algo.

Se observarmos os artigos das revistas antigas, veremos que os pais e mães ensinavam seus filhos e filhas a amar o outro, e não a desejar ser amado ou amada.

Essa mudança de direção fez evidenciar os defeitos do outro ao invés de ressaltar as qualidades. A admiração se transformou em repulsa e o amor se transformou em desejo.

Por esta linha é impossível que a união perdure e, se mesmo assim se mantiver, será à custa de sofrimento e tristeza.

Em algum momento lá atrás aconteceu essa mudança de direção. Quando o pai deixou de amar a mãe e demonstrou sua repulsa por ela, e a mãe, da mesma forma, demonstrou aos filhos que já não admirava seu esposo.

Os filhos sentiram e sofreram, fixaram marcas nos seus corações para sempre. Então, quando cresceram e se tornaram marido e esposa, já marcados, ficaram na espreita do momento em que o companheiro ou a companheira fizesse algo que lembrasse seus pais, desencadeando então, todas as mágoas que estavam prontas para explodir. Foi quase impossível conter a emoção que, como um vulcão em erupção, lançou fogo e brasa, ferindo e magoando. Assim, disseminaram a discórdia também para os netos e bisnetos daqueles que inverteram a seta do amor.

O que fazer então? Tudo está perdido?

Claro que não! Nesta vida em tudo há possibilidades.

Em Ex 20, 5-6; Ex 34, 6-7; Dt 5, 9-10; Dt 7, 9 e Jó, 21,19, está escrito mais ou menos assim: - Deus castiga os pecados dos pais nos filhos, netos e bisnetos, até a terceira ou quarta geração, mas abençoa mil gerações daquele que O ama.

Entendeu? Vou explicar:

Alguém deve quebrar esse ciclo de tristezas e desconcertos revertendo a direção da seta do amor. Ou seja, alguém nessa sequência de erros deve tomar a atitude de amar simplesmente por amor ao amor.

Para aquele que decide amar, não deve haver a expectativa da recompensa, o simples prazer em amar já é a recompensa. Principalmente no matrimônio. Mas, se mesmo assim, a vontade de ser amado ou amada for tão intensa que não dá para deixar pra lá, experimente o amor de Deus. Só Ele pode te amar na intensidade que deseja, pois Deus é a única fonte e o próprio e verdadeiro amor.

Paulo disse que experimentamos um pedacinho do amor de Deus, mas chegará o momento em que o teremos por completo. Então, por que ser mendigo de amor?! Não dá para esperar o amor de alguém, porque uma pessoa não é fonte de amor, só Deus é. Entendeu agora?

O que dá para fazer é ser um transmissor do amor de Deus. Simplesmente amar já é o bastante.

Podemos buscar então, no matrimônio, cumprir o que está sugerido em Ef 5, 22-28, onde a recomendação é para que a mulher confie em seu marido, nos caminhos eleitos por ele para conduzir a família, pois a ele foi dado por Deus o dom de saber do futuro. Mas, essa confiança deve ser a recompensa por si só, pela simples satisfação em confiar, sem esperar qualquer reconhecimento. E, ao marido, cabe amar a sua esposa profundamente, pois a ela foi dado o dom do afeto e da amizade. Também, sem esperar que ela reconheça esse amor, buscando sua satisfação na decisão de amar somente.

Sei que não é tão simples assim abrir mão daqueles sentimentos que estão arraigados no coração, porém há alguns caminhos para se chegar a essa perfeição. E, um deles é ajudar o outro a se reencontrar com seus pais biológicos, mesmo que eles já não estejam neste mundo. Ajudá-lo(a), pelo perdão, a refazer a imagem de pai e de mãe que se perdeu no tempo, pois só o perdão é capaz de viajar pelo passado e consertar o presente.

Os nossos pais biológicos são a nossa raiz. Quando fortalecida, suportamos vendavais.

Vale a pena? Afinal, não seria somente para aprender a conhecer o Amor de Deus que estamos vivos e existimos?